MISERICÓRDIA DE CASTRO DAIRE (UM POUCO DA SUA HISTÓRIA)

 

A Santa Casa da Misericórdia de Castro Daire também designada Irmandade da Misericórdia de Castro Daire remonta à época medieval, originária das Confrarias de caridade, administradoras de albergarias e hospitais. Fundada em 1659, foi constituída inicialmente como Irmandade das Almas com objetivos piedosos.

           

Por Carta Régia de autorização do Rei D. Luís datada de 30/11/1861 a Irmandade das Almas passa a designar-se Irmandade da Misericórdia, criando a Santa Casa da Misericórdia,  A mesma já havia nascido nesse mesmo ano, pelo Decreto-Lei de 6 de setembro, que a instituiu, marcadamente com objetivos sociais.

           

Neste primeiro Compromisso os Irmãos eram divididos em três classes. Para a primeira classe (salvo algumas exceções) podiam ser admitidos todos os indivíduos que tivessem boa conduta moral, civil e religiosa, que tivessem alguns bens, negócio, emprego ou ofício de que vivessem. Tinham de ser maiores de vinte e cinco anos ou emancipados e que residissem no concelho de Castro Daire, não podendo o seu conjunto ultrapassar o número de trezentos indivíduos. Na segunda classe seriam considerados todos aqueles que pertenciam à reformada Irmandade das Almas e todos os novos Irmãos pertenceriam à terceira classe. Estas duas últimas não tinham número fixo de Irmãos.

 

Menos de dois anos depois da assinatura da Carta Régia, a Mesa Administrativa decidiu construir um novo Hospital em substituição da antiga albergaria, tendo o mesmo Rei autorizado a compra do terreno para o efeito e respetiva construção.

 

Feitas e terminadas as obras, passadas algumas décadas, sabemos que no início do século XX esta era uma importante infraestrutura do nosso concelho. Em 1915 dispunha já de duas enfermarias, uma para homens e outra para mulheres, uma sala de operações, quartos para doentes particulares e Irmãos de primeira classe, secretaria, cozinha e farmácia com os devidos compartimentos para laboratório. Era servido por dois médicos.

 

As albergarias e/ou hospitais medievais foram erigidos sob a invocação do Espírito Santo. Também em Castro Daire a albergaria aparece associada a uma capela do mesmo nome.

Esta capela deve ter acolhido durante muitos anos os serviços religiosos da Irmandade das Almas, mas aquando do nascimento da Irmandade da Misericórdia esta já não é referida na documentação e todos os serviços de culto relativos aos irmãos se processavam na Igreja Matriz, o que desde logo nos leva a supor que já estivesse em estado de degradação.

Em janeiro de 1911, por decisão da Mesa Administrativa a capela foi demolida. O largo onde existiu ficou para a posteridade com o nome que a capela lhe deu – Largo do Espírito Santo (hoje mais conhecido por Largo da Feira das Galinhas em virtude das funções que desempenhou quando a feira bimensal aí se desenrolava).

 

No mesmo ano a Mesa Administrativa decidiu construir no jardim contíguo ao hospital uma morgue, aproveitando para tal a pedra da Capela do Espírito Santo. É de crer que esta obra só tenha ficado concluída em 1920, devido às dificuldades vividas na época em Portugal. A morgue exerceu a sua atividade até à primeira metade da década de 90 do século XX. No início do século XXI foi recuperada, nascendo a Capela do Espírito Santo, nome que homenageia a anterior capela com o mesmo nome.

 

A Santa Casa da Misericórdia, tal como qualquer associação, rege-se por estatutos, texto esse a que se dá o nome de Compromisso. Como já foi dito o primeiro Compromisso data de 1861, altura da Carta Régia do Rei D. Luís, o segundo Compromisso nasce com a necessidade de adaptar as instituições aos novos ventos republicanos e, por isso, surge em 1913. Este Compromisso, dada a sua desatualização, dá lugar a outro em 1981. Com a publicação do Decreto-Lei n.º 172-4/2014, de 14 de novembro, a atual Mesa Administrativa elaborou novo Compromisso, submetendo-o à Assembleia Geral de Irmãos, que o aprovou por unanimidade na reunião de 29 de março de 2015.

A Diocese de Lamego, pelo Decrerto- Lei n.º 04/2015 de 16 de julho, concedeu-lhe a necessária aprovação. 

Atualmente a Santa Casa da Misericórdia tem cerca de 330 utentes entre adultos e crianças e 197 Colaboradores, sendo assim uma das maiores instituições do nosso concelho, visando sempre o apoio social, afinal o objetivo primordial para que foi criada.

 

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